Quando ouvir um médico inspirava respeito, e hoje inspira preocupação

Houve um tempo em que conversar com um médico em Cáceres era, para muitos, quase um choque de realidade. Não pela arrogância, mas pelo nível de preparo. Eram profissionais que impressionavam pela capacidade técnica, pela escuta atenta e pelo raciocínio clínico refinado. Alguns até pareciam “fora da curva”, tamanha a segurança e profundidade com que falavam.

Nomes como Dr. Nestor, Dalbem, Dra. Honorina, entre outros que marcam a história da medicina cacerense, representam uma geração formada em um modelo rigoroso, exigente e profundamente comprometido com o conhecimento. Médicos que inspiravam confiança antes mesmo do diagnóstico.

O debate que surge não é uma crítica aos profissionais atuais, muitos seguem trabalhando com ética, dedicação e esforço diário, mas sim ao modelo de formação que está sendo adotado, especialmente por algumas instituições privadas que aceleraram a abertura de cursos sem a mesma preocupação com qualidade.

Esse debate ganhou força após a divulgação de avaliações oficiais que colocaram o curso de Medicina da FAPAN entre os piores desempenhos do Brasil. Em uma escala em que a nota mínima é 1, a instituição alcançou exatamente esse patamar, acendendo um alerta nacional sobre o nível de formação oferecido.

O dado não pode ser tratado com normalidade. Medicina não é apenas um diploma. É decisão, responsabilidade e, muitas vezes, vida ou morte. Quando um curso apresenta desempenho tão baixo em avaliações oficiais, a preocupação deixa de ser acadêmica e passa a ser social.

A pergunta que fica não é ofensiva, mas necessária: que tipo de médico estamos formando?
Porque, se o futuro da saúde depender de formações que mal atingem o mínimo exigido, o medo deixa de ser a doença, e passa a ser a consulta.

Mais do que apontar culpados, o momento exige reflexão séria. A sociedade precisa cobrar critérios mais rigorosos, o poder público precisa fiscalizar com mais firmeza, e as instituições de ensino precisam entender que formar médicos não é negócio comum. É compromisso com vidas.


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