Manobras partidárias e disputa por legenda podem deixar Valdeníria sem mandato?

As movimentações partidárias que antecedem as eleições de 2026 já começam a provocar ruídos, disputas internas e insegurança jurídica em diversos partidos, e, em Cáceres, um desses casos chama atenção e envolve a vereadora Valdeníria Dutra Ferreira.

Valdeníria obteve, ainda em 2025, decisão favorável do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) autorizando sua desfiliação do PSB com justa causa, mantendo o mandato. À época, o próprio Diretório Estadual do partido emitiu carta de anuência, reconhecendo que a permanência da parlamentar na legenda havia se tornado insustentável, além de o diretório municipal estar inativo.

A decisão foi considerada pacificada naquele momento, com manifestação favorável inclusive da Procuradoria Regional Eleitoral. No entanto, novos desdobramentos políticos reacenderam o debate.

Nos bastidores, circula a informação de que o ex-governador Pedro Taques assumiu recentemente o comando estadual do PSB, movimento que, se confirmado, muda completamente o cenário. Segundo relatos de interlocutores políticos, Taques não concordaria com a saída de parlamentares eleitos pelo partido e estaria disposto a rever decisões internas tomadas antes de sua chegada à presidência da sigla.

É nesse ponto que surgem os questionamentos: mesmo com decisão judicial favorável, haveria espaço para novos recursos? A resposta é: sim, juridicamente é possível, caso haja entendimento de que novos fatos políticos ou partidários alterem a base da decisão anterior. Um eventual recurso a instâncias superiores, como o TSE, não está descartado.

Embora não exista, até o momento, nenhuma ação formal anunciada contra Valdeníria, o simples fato de o comando partidário ter mudado já é suficiente para gerar insegurança e alimentar especulações, ainda mais diante de afirmações que o novo presidente da sigla não deixaria barato.

Outro elemento que amplia o ruído é o redesenho do tabuleiro partidário no estado. Lideranças como Max Russi também tiveram mudanças de legenda, e a própria Valdeníria é apontada como possível pré-candidata a deputada estadual por outra sigla. Tudo isso ocorre em um ambiente pré-eleitoral marcado por disputas por espaço, controle de partidos e montagem de chapas competitivas.

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela reportagem ressaltam que, embora a decisão do TRE-MT tenha respaldo legal, o ambiente político mudou, e isso pode levar a tentativas de reinterpretação do caso. Ainda assim, qualquer perda de mandato dependeria de novo julgamento e não ocorre de forma automática.

O episódio evidencia como as eleições de 2026 já estão sendo moldadas muito antes do período oficial de campanha, com manobras partidárias, disputas por legenda e rearranjos internos que vão muito além do discurso público.

Enquanto isso, Valdeníria segue exercendo normalmente o mandato de vereadora, mas agora sob um cenário de incerteza política que promete render novos capítulos nos próximos meses.


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