A longa espera de Cáceres chega ao fim com a inauguração da ZPE

 Após mais de três décadas de entraves burocráticos e batalhas políticas, a Zona de Processamento de Exportação se torna realidade, prometendo transformar a economia da região oeste de Mato Grosso.


Cáceres, MT – O dia 24 de outubro de 2025 entra para a história de Cáceres não apenas como uma data no calendário, mas como o marco zero de um futuro longamente aguardado. Sob o sol da região oeste, o governador Mauro Mendes, ao lado de lideranças locais e estaduais, oficializa a inauguração da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), um projeto que atravessou gerações e agora se materializa como um dos mais importantes vetores de desenvolvimento para Mato Grosso.


A cerimônia, marcada para as 10h, simboliza a superação de um imbróglio de mais de 30 anos. Para o governador, o ato representa a filosofia de sua gestão: destravar obras, resolver pendências e entregar resultados concretos à população. A ZPE, um sonho que parecia desvanecer, ressurge robusta, pronta para operar e atrair indústrias com foco no mercado global.


O investimento total do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), alcança a cifra de R$ 51,3 milhões. Este montante foi crucial para transformar uma área antes paralisada em um moderno complexo industrial, dotado de regimes tributário, administrativo e cambial diferenciados, essenciais para ampliar a competitividade dos produtos mato-grossenses no exterior.


A estrutura impressiona: são 247 hectares divididos em cinco módulos, que abrigam 341 lotes industriais. A infraestrutura é completa, incluindo um recinto aduaneiro, área administrativa, armazéns e sistemas de controle de última geração, elementos que garantiram o alfandegamento pela Receita Federal em março de 2024, a última grande chancela para o início das operações.


A inauguração desta sexta-feira, contudo, é a culminação de uma saga que começou muito antes, no final da década de 80. A história oficial registra a criação da ZPE por decreto presidencial em 1990, mas a sua verdadeira gênese remonta aos anos de 1987 e 1988, na mente visionária do então prefeito de Cáceres, Antonio Fontes.


Seu filho, Túlio Fontes, que também viria a ser prefeito por dois mandatos e deputado estadual, recorda com precisão o empenho do pai. "Ele foi o primeiro prefeito eleito após o período de arbítrio, pois Cáceres era área de segurança nacional. E desde o início, ele começou a articular esse projeto grandioso", conta Túlio.


A articulação de Antonio Fontes foi intensa e estratégica. Documentos da época, guardados como relíquias, mostram a mobilização que ele promoveu. Um fac-símile enviado diretamente à Presidência da República foi o primeiro passo de uma jornada que envolveria toda a classe política do estado.


Com uma visão clara do potencial de Cáceres como um polo exportador, o prefeito Fontes não mediu esforços. Engajou pessoalmente os três senadores e os oito deputados federais da bancada mato-grossense da época, incluindo nomes como Márcio Lacerda, Jonas Pinheiro e Júlio Campos. "Toda a bancada federal recebeu o ofício. Ele iniciou todo o processo", relembra Túlio.


Para dar magnitude nacional ao debate, a prefeitura trouxe a Cáceres a jornalista Lilian Witte Fibe, então no auge de sua carreira. Ela se tornou a "grande vedete" dos seminários, usando sua influência para atrair os holofotes da imprensa e legitimar a importância da ZPE para o Brasil.


A participação de Túlio Fontes nesses eventos era a de um jovem recém-formado, observando de perto a tenacidade do pai. Mal sabia ele que, anos mais tarde, o destino daquele projeto estaria em suas próprias mãos.


O primeiro grande golpe veio no início dos anos 90. O presidente Fernando Collor, por meio de sua ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, arquivou o projeto. O pretexto oficial era de que a ZPE poderia atrapalhar o recém-criado Mercosul, uma justificativa que, para os defensores da zona de exportação, nunca foi convincente.


O projeto permaneceu engavetado durante anos. A resistência, segundo Túlio, vinha principalmente de setores influentes de São Paulo, que temiam a migração de indústrias para Mato Grosso em busca de incentivos fiscais. O protecionismo paulista falou mais alto, e a ZPE de Cáceres mergulhou em um longo período de esquecimento.


A esperança ressurgiu apenas em 2010, quando o então presidente Lula decidiu "tirar da gaveta" os projetos de ZPEs paralisados pelo país. Foi dado um prazo fatal de um ano para que os municípios demonstrassem viabilidade, com a principal exigência sendo a apresentação da área devidamente cercada e regularizada.


Naquele momento crucial, o prefeito de Cáceres era Túlio Fontes. Ele herdou não apenas o sonho do pai, mas um problema gigantesco: a área destinada à ZPE havia sido invadida ao longo de quase duas décadas. A missão parecia impossível: era preciso entrar na Justiça para reintegrar a posse, limpar todo o terreno e protocolar o projeto em Brasília dentro de um ano.


"Foi uma guerra", descreve Túlio. "Peguei as duas únicas patrolas que tínhamos e mandei limpar toda a área. Tive que lutar na Justiça. Foi muito difícil, cheguei lá praticamente no último dia do prazo. Se eu não tivesse protocolizado a tempo, ninguém estaria vindo inaugurar ZPE nenhuma hoje". Essa ação o consagrou como o "batalhador" que resgatou o projeto da prescrição.


Após a batalha de Túlio, a ZPE sobreviveu, mas ainda precisava do impulso final. É neste ponto que a história encontra a gestão de Mauro Mendes. A partir de 2019, o Governo do Estado assumiu a liderança do processo, iniciando uma ampla regularização jurídica, contábil e administrativa que saneou todas as pendências que ainda travavam o empreendimento.


A decisão de Mendes de investir os R$ 51,3 milhões foi o passo definitivo que permitiu a construção da infraestrutura física, atendendo a todas as exigências federais e tornando a ZPE, finalmente, uma realidade palpável e atrativa para os investidores.


O evento desta sexta-feira também celebra a memória do engenheiro Adilson Reis, cujo nome batizará a ZPE. Técnico competente e secretário de Planejamento de Túlio Fontes, Adilson foi um dos grandes lutadores pelo projeto. A homenagem, sugerida por Túlio em um gesto de reconhecimento, eterniza o legado de quem dedicou sua vida à causa.


Mas o que a ZPE significa na prática para a cidade? Túlio Fontes, que estudou modelos semelhantes em diversos países, explica: "A ZPE é fundamental para o desenvolvimento. Ela gera emprego e renda. O empresário visa lucro, e os incentivos fiscais fortes atraem as empresas. Uma vez instaladas, elas geram empregos diretos e, principalmente, indiretos".


Ele detalha que, embora as indústrias precisem de mão de obra especializada, o maior impacto será sentido fora dos muros do complexo. "É o hotel, a lavanderia, o restaurante. São os pequenos e médios comerciantes que vão fornecer serviços para a grande população que trabalhará lá dentro. Isso vai movimentar a economia de Cáceres, da região e do estado".


A inauguração, contudo, não está isenta de controvérsias. Associações comerciais de Cuiabá já manifestaram preocupação com uma possível concorrência desleal. Túlio refuta essa visão, atribuindo-a à falta de conhecimento. "Eles confundem ZPE com freeshop. São coisas distintas. A ZPE fortalece a indústria e beneficia o estado como um todo, não prejudica o comércio de ninguém".


A chegada de indústrias de ponta também acende um alerta positivo para a necessidade de qualificação profissional. A demanda por especialistas impulsionará a criação de cursos técnicos e profissionalizantes, abrindo novos horizontes para a juventude da região.


A agenda do governador Mauro Mendes em Cáceres não se resume à ZPE. O dia é de festa para a cidade, com a entrega de outras obras importantes, viabilizadas durante a passagem de Túlio Fontes pela Assembleia Legislativa em 2021.


A população recebe a revitalização completa do Complexo Esportivo Didi Profeta, uma obra originalmente construída na gestão de Antonio Fontes, pai de Túlio, criando uma bela conexão simbólica entre as gerações da família e o progresso da cidade.


Além do complexo Didi Profeta, Túlio, na condição de deputado estadual em 2021, conseguiu com o governador Mauro Mendes os recursos necessários para a reforma e revitalização da Praça Duque de Caxias, do icônico Estádio Geraldão e do miniestádio do bairro Jardim Paraíso, obras que renovam os espaços de esporte e lazer dos cacerenses.


Essas entregas, somadas à ZPE, compõem um mosaico de progresso que reflete a sintonia entre a articulação política local, representada por Túlio Fontes, e a capacidade de execução do governo estadual, sob o comando de Mauro Mendes.


Ao final, o dia 24 de outubro de 2025 é a prova de que a persistência pode, sim, mover montanhas. A ZPE de Cáceres deixa de ser uma promessa para se tornar um motor de transformação, um testemunho do poder da visão de um prefeito do passado, da luta de seu filho no presente e da decisão de um governador que optou por fazer acontecer. Cáceres, enfim, pode celebrar o início de seu novo ciclo de prosperidade.



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