Em visita a Cáceres, a deputada estadual Edna Sampaio (PT) concedeu entrevista ao Folha de Cáceres e rebateu questionamentos sobre seu retorno à política, articulação partidária, visão sobre debates ideológicos, e políticas públicas voltadas à regionalização.
Sentimento de recomeço e legitimidade
Ela afirmou que voltou mais forte após o processo de cassação, enxergando sua retomada como prova de que agiu corretamente e disse que se mantém firme sua luta por justiça social.
Apoio político e denúncia de violência contra mulher
Edna disse contar com o apoio de colegas na Assembleia Legislativa e classificou sua cassação como um “planejamento arquitetado” — “uma espécie de violência contra a mulher”, reforçando seu caráter simbólico.
CPI do Feminicídio contra crise grave no estado
Com apoios confirmados, ela anunciou ter protocolado os documentos necessários para instalação de uma CPI do Feminicídio, em resposta ao fato de que Mato Grosso lidera proporcionalmente os índices de feminicídios no país.
Debate público e discurso linguístico
Sobre um episódio na capital envolvendo o uso do termo “todes” por uma professora durante evento público, Edna defendeu a liberdade linguística. Ela lembrou que o idioma é vivo e evolui com o tempo, considerando a polêmica um exagero alimentado pelo prefeito para “viralizar” a culpa. Questionada se uma professora com tamanha graduação não faz errado em usar uma linguagem inexistente, ela ainda assim defende dizendo que a professora é qualificada pra isso mas o prefeito Abílio não.
Política internacional: influências externas e narrativa contemporânea
Questionada sobre narrativas polarizadas sobre o impacto de lideranças brasileiras junto a governos estrangeiros, Edna contestou a participação do filho de Bolsonaro nos EUA para influenciar políticas de sanção — afirmando que isso reforça uma postura autoritária, refletindo a ascensão da extrema direita, e nega que todas as falácias de Lula e Janja e ainda que os atos do Ministro Alexandre de Moraes, não interfiriam em nada se nao fosse a família Bolsonaro.
Olhar regional: compromisso com Cáceres
Hoje em Cuiabá, mas moradora de Cáceres por um longo periodo e com excesso de compromissos, ela admitiu que ainda não implementou ações no município, mas garantiu que sua prioridade é buscar uma cadeira efetiva na Assembleia para representar a região oeste com mais atenção e governança local.
Parcerias políticas locais
Perguntada sobre a atuação do vereador César Pastorello, apontado em redes como possível concorrente no cenário estadual, Edna respondeu que entende que cada um tem base e eleitorado próprios — e classificou Pastorello como um aliado, planejando manter contato político com ele.
Posição sobre as prisões do 8 de janeiro
Na última pergunta, Edna foi questionada se não considera injusto que mulheres que não participaram de atos de vandalismo, como a senhora presa apenas com uma bíblia na mão ou outra que passou batom na estátua da Justiça, fossem mantidas presas mesmo sem oferecer risco à sociedade.
A deputada respondeu de forma firme:
“As pessoas têm que pagar pelos seus erros. A ignorância ou o desconhecimento da lei não isentam ninguém de cumprir a pena.”
A fala, no entanto, expõe uma contradição em seu discurso. Enquanto afirma ter sido vítima de violência política de gênero no processo de cassação que sofreu, Edna não enxerga como violência semelhante as punições aplicadas a essas mulheres. Para ela, o que aconteceu consigo mesma é prova de perseguição contra a mulher; já nos casos dessas manifestantes, ainda que muitas pessoas as vejam como inofensivas, sua avaliação foi de que a lei deve prevalecer sem ressalvas.
